SOBRE AS MANIFESTAÇÕES DE MAIO DE 2019


Olá, queridos leitores!
Hoje eu decidi estrear esse blog para compartilhar o que penso acerca dos acontecimentos políticos envolvendo o Brasil e mundo. Nessa primeira postagem eu gostaria de discorrer brevemente sobre as manifestações desse maio de 2019. A primeira delas já é passada, ocorreu no dia 15 do corrente e colocou uma boa quantidade de pessoas nas ruas. A segunda ainda não ocorreu, mas está agendada para o próximo dia 26. A princípio, comentarei sobre a primeira manifestação e, logo após, farei minhas considerações acerca da segunda.

Todos pela educação!

A primeira manifestação desse (talvez) histórico mês de maio ocorreu no dia 15 com a seguinte motivação: a educação está em perigo. O que levou milhares (talvez milhões) de pessoas a chegarem a essa conclusão? Bem, aparentemente o Ministério da Educação CORTOU cerca de 30% (trinta por cento) do orçamento total das universidades. Quer dizer, será que foi só das universidades mesmo? A educação básica não seria afetada também? Bem, esclarecer esse tipo de coisa não contribuiria para o sucesso da manifestação. Aqui eu gostaria de partilhar uma lição que aprendi tempos atrás com meus caros leitores: quando a causa é muito esclarecida, ela perde significativamente sua força.
Bem, o fato é que divulgou-se que a educação estava sendo ataca pelo governo. Mas, qual seria a motivação do governo? Você pensa que um governo antidemocrático se interessa em investir em educação para o povo ou prefere mantê-los aprisionado na ignorância? O leitor deverá concordar comigo que o efeito retórico de perguntas como estas é muito forte. Desse modo, você produz em poucos dias uma gama elevada de pessoas verdadeiramente preocupadas com o destino da educação e do país.
Quando se constrói um discurso que afirma que algo como a educação está sob ataque, você consegue vários adeptos. E listo duas razões para as coisas serem desse modo.
Primeiro que educação é uma pauta unânime: não tem um brasileiro sequer que ouse falar em público que a educação não é importante. Logo, você cria um ambiente no qual as pessoas não criticaram a sua manifestação, pois seria a mesma coisa que atacar a educação. Veja que aqui você já conseguiu associar a sua manifestação a uma causa comum a todos.
Em segundo lugar, a desinformação tem um poder importantíssimo, pois cria uma expectativa que não podemos aceita e nos faz sentir medo de algo que supostamente estar por vir. Esse medo nos faz tomar decisões apressadas e, consequentemente, irrefletidas, de modo que colocamos a nossa racionalidade em segundo plano e simplesmente “agimos” motivados por defender algo benéfico para todos.
Bem, qual é o problema disso?
Olha, se você defende valores como educação, democracia,, direitos iguais, liberdade de expressão e coisas congêneres, está tudo certo com você. Você faz parte da grande maioria sensata das pessoas que vivem neste país. Mas, você nunca se questionou se as pessoas que dizem defender uma pauta realmente estão preocupadas com ela? Acho que aqui as coisas começar a ficar mais interessante. E se eu dissesse que a verdadeira motivação uma tal manifestação não é a defesa da educação ou qualquer outra coisa do tipo. Aliás, você não acha muito estranho algumas pessoas se auto proclamarem defensoras dos direitos humanos, dos negros, dos homossexuais, dos índios e etc? Não vamos entrar nesse assunto agora, mas aconselharia ao leitor pensar sobre isso.
Mas, pretendo demonstrar que há algumas razões para desconfiar da boa vontade dos convocadores da primeira manifestação de maio. Elenco algumas das minhas razões a seguir.
Num primeiro momento podemos destacar a falta de clareza sobre as informações. Dito de outro modo: ou os lideres da manifestação estavam desinformados ou mentiram para você. O que ocorrer foi o MEC se viu obrigado a fazer um CONTINGENCIAMENTO nos recursos das universidades e por um motivo muito simples: tem pouco dinheiro em caixa. A desinformação começa quando se omite os seguintes fatos: i) os recursos referente às despesas obrigatórias (salários dos servidores e assistência estudantil, por exemplo) não foram reduzidos, mas apenas houve uma trava nos recursos destinados às despesas não obrigatórias (, pesquisa, água, luz, telefone, etc.); ii) se você aplicar o cálculo acima dos valores da despesa discricionária (não obrigatória), terá um valor próximo de 25% (vinte e cinco por cento e não trinta por cento, como divulgou-se na mídia); mas, aplicando esse cálculo ao valor total, o valor é de 2,4 (dois virgula quatro por cento); iii) segue-se dos fatos anteriores que tentaram enganar você, pois a omissão disso e a divulgação dos 30% te lavavam a concluir que esse valor era sobre as despesas totais, o que é um factóide.
Em um segundo momento, para não me alongar, gostaria de citar (basta o leitor pesquisar que encontrará várias manchetes) que os governos anteriores contingenciaram valores ainda maiores em um passado não muito recente, porém, os mesmos que convocaram essa manifestação contra o governo não fizeram absolutamente nada. Isso me leva a lançar a hipótese que apenas querem enfraquecer o governo.
Uma conclusão óbvia do que falei acima é que a verdadeira causa da manifestação não foi a defesa da educação, mas a tentativa de enfraquecer o governo.
E por que eles iriam querer enfraquecer o governo? Simples: para retardar ou impedir as reformas que podem começar a resolver a crise fiscal no país. Se você perde uma eleição para mim, você vai deixar que eu cumpra as minhas promessas de campanha e promova reformas que vão atrair investimentos e gerar empregos e melhores condições de vida para os mais pobres? Se você quiser que o país vá bem acima de tudo, sim, você não somente “deixará” como apoiará. Caso você queira apenas retomar o poder o mais rápido possível, não. Você não tentará fazer de tudo para impedir as minhas reformas, como tentará me derrubar e depois você mesmo tentará fazê-las e ficar com os créditos.
A questão que se colocar é: você acredita nas boas intenções de quem omitiu fatos relevantes para conseguir mais adeptos à sua manifestação?
Deixo a pergunta para o leitor e encerro minha análise sobre a primeira manifestação.

Quem vocês pensam que são?

Sobre a segunda manifestação, que está marcada para 26 próximo, quero pontuar apenas duas coisas.
A primeira é que os políticos sabem que é necessário fazer uma reforma da previdência, mas não precisa ser uma reforma maravilhosa, pois isto tornaria o atual presidente muito forte para as próximas eleições. Aqui partilho outra lições, esta eu aprendi com Dom Bertrand de Orleans e Bragança: na República, não se pensa nas próximas gerações, mas nas próximas eleições. Bem, o fato é que é preciso desgastar ao máximo as reformas, bem como impedir que outras pautas do governo venham a obter êxito, como um pacote anticrime feito por um ex juiz federal. Aparentemente o congresso só está preocupado em não deixar o barco afundar de vez, mas isso não significa que precisa decolar.
Certo. Agora que estamos pressupondo que o congresso quer minar o presidente, podemos entender a motivação da manifestação futura: o povo quer mostrar ao congresso que não está alheio ao que ocorre no congresso. Isso mesmo, diferente de outros momentos em que a população votava e esquecia dos políticos por quatro anos, agora o povo vigia de perto a atuação do presidente e do congresso. Essa manifestação mostra que não estão satisfeitos com a atuação do congresso e que querem passar um recado muito claro: quem vocês pensam que são? Isso mesmo, os deputados têm dezenas de milharas, centenas de milhares (há quem tenha milhões) de votos, mas o presidente mais 57 milhões. Ou seja, ele tem legitimidade para implantar suas pautas e esta vem do apoio popular. As manifestações de 26 de maio serão uma tentativa de o povo mostrar que não admitirão que o plano de governo que elegeram seja negligenciado.
Em suma, meus caros leitores: no próximo dia 26, as pessoas vão dizer que não aceitam viver abaixo de nenhum regime que não seja a DEMOCRACIA.

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